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Terça-feira, Junho 30, 2009
O aniversário é seu, mas o presente é meu...
Pedagogia da indignação
Cartas pedagógicas
e outros escritos
Apresentação
Ana Maria Araújo Freire
Entregar aos leitores e leitoras de Paulo Freire o livro que ele escrevia quando nos deixou, em 2 de maio de 1997, é um momento de grandes emoções. Certamente não só para mim, mas também para aqueles e aquelas que acreditavam que entre dezembro de 1996, quando publicou a Pedagogia da autonomia, e maio de 1997, Paulo não teria ficado sem pôr no papel as suas sempre criativas idéias. Não teria, por quase um semestre, deixado de expressar por escrito a sua preocupação de educador-político. Não se enganaram os que assim pensaram e esperaram. Agora, se não passadas todas as angústias, dúvidas, ectativas e tristezas por ele não estar mais entre nós, podemos comemorar com alegria a sua volta às editoras e livrarias, inicialmente, com o seu último trabalho.
Até então eu não tinha ainda lido as 29 páginas manuscritas das Cartas, uma das formas de comunicação que Paulo tanto gostava de utilizar.1 Eu apenas conhecia os temas tratados (e os que ele não teve tempo de escrever), pois sempre estava falando, discutindo e comentando com alegria ou indignação os fatos sobre os quais estava construindo o seu novo discurso antropológico-político. Foi difícil para mim iniciar a leitura dessas páginas. Tinha medo. Era como se isso fosse confirmar o fato consumado de sua ausência, tão doloroso quanto irreversível. Ler um livro incompleto de Paulo implicaria para mim estar novamente diante de sua morte. Quando uma relação amorosa como a nossa é rompida abruptamente, ficamos, os que não se foram, perplexos, espantados, estarrecidos, antes mesmo de termos consciência da dor brutal alojada para sempre dentro de nós; antes mesmo que possamos realizar em nosso espaço do sentir a perda que acabamos de sofrer. Esses instantes (dias?) são também de um sofrer que nos marca para sempre tanto quanto o luto consciente. Acreditar na ausência para sempre? Aceitar que o companheiro de todos os dias e de todas as horas partiu quando ainda tanto queria ficar entre nós? Minha reação inicial foi, então, essa inútil tentativa de driblar a realidade. Defendia-me, entre outras maneiras,2 não lendo os seus escritos, para não enfrentar a situação de sofrimento que já estava instalada em mim, na verdade, desde o instante que soube de sua morte. Por isso fugi enquanto pude para não reafirmar a mim mesma que além de não mais ele poder me tocar, me escutar e me olhar ele também não poderia escrever mais.
Ler esses textos, sobretudo porque eles estavam, como sempre, escritos pelas próprias mãos de Paulo, significaria naquelas horas de dor indescritível dizer a mim mesma que, definitivamente, estas Cartas pedagógicas (ele mesmo as chamou assim desde quando começou a escrevê-las) ficaram inacabadas. E inacabadas para sempre não porque ele tivesse, deliberadamente, abandonado o livro, pois ele tinha um prazer muito especial quando concretizava a tarefa que tivesse dado a si próprio, escrever – e como o fazia belamente! O escrever era para ele como um exercício epistemológico ou como uma tarefa
eminentemente política, além de um gosto, um dever. E como tal jamais se negou a esse que-fazer com seriedade e ética.
Meses, muitos meses passaram-se, talvez um ano, desde aquela madrugada de perda, até o momento em que comecei a executar minhas decisões que resultam, hoje, neste livro. Somente quando ficou claro para mim tudo o que em mim se passava é que foi possível entender que era necessário enfrentar as emoções – e ler as Cartas. Depois de analisadas sob a perspectiva de sua incompletude é que tive certeza que deveria publicá-las, que não pode-ria sonegar mais este legítimo direito dos estudiosos(as) de Paulo e, sobretudo dele próprio. Esses escritos, compreendi, são fundamentais para quem estuda a obra freireana
tanto por neles estarem, de fato, as suas últimas reflexões escritas como pela importância e modo de abordagem dos temas tratados. Foi assim que me convenci desta minha tarefa e empenhei-me nela com afinco.
Inicialmente, considerei oportuno convidar alguns educadores e educadoras, todos e todas ligados à teoria e/ou práxis de Paulo para escreverem cartas-respostas a ele. Seriam cartas sobre as reflexões próprias de cada um(a) construídas a partir dos provocantes e atuais temas tratados por Paulo nas Cartas pedagógicas.
1 Sobre a preferência de Paulo para escrever, algumas vezes, seus ensaios em forma de Cartas, ver Paulo
Freire, Cartas a Cristina, São Paulo: Paz e Terra, 1994, in: Ana Maria Araújo Freire, Notas: Introdução
(p.237-42).
2 Ver Ana Maria Araújo Freire, Nita e Paulo, crônicas de amor, São Paulo: Olho D’Água, 1998.
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Segunda-feira, Abril 06, 2009
Um dia me disseram da felicidade de saber que existe mais gente com alma de filósofo por aí... Não dá para amenizar a consequência das nossas escolhas, mas também não é justo potencializar isso, como se não houvesse conserto.
Um dia mergulhei no escuro e aprendi que podia mais, também era mais feliz quando ignorava certas coisas, mas ainda continuo perdida no escuro esperando que a minha experiência sensorial possa me levar mais além.
A honestidade pode até ser um termo relativo, mas mesmo assim ainda dói descobri que a honestidade é uma representação parcialmente construída da gente da mesmo.
E agora cê me dá licença porque acabei de entrar na minha vigésima terceira crise existencial e acho melhor procurar uma árvore para descansar...
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Quarta-feira, Dezembro 31, 2008
Como saber até que ponto se marcou?
O que é preciso fazer para não ser apenas mais uma marca na bochecha?
O que é preciso para ser amada, para não ser só uma camisa pendurada no armário?
As lembranças se repetem, mas sem o cheiro, o frescor do amor correspondido.
Tudo se complica, turva, causa estranheza desmedida, os sentimentos se misturam.
O amor que começa numa vírgula e termina com dois pontos...
Será que Ulisses e Lóri ainda estão juntos?
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Quarta-feira, Dezembro 17, 2008
Sempre dizia que estava em primeiro lugar, mas isso não era verdade, tomar consciência disso não me faz diferente ainda, mas me coloca a possibilidade da mudança...
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Segunda-feira, Novembro 10, 2008
Era uma vez um mágico da platéia de olhos fechados. Suas apresentações eram muito exclusivas, ficava curiosa para saber o poder da magia daquele mágico que encantava tanta gente. Um dia encontrei com o mágico, ele estava sem a capa, parecia comum, mas logo percebi o quanto ele era especial, mesmo sem seus aparatos o mágico realizou sua magia sobre mim, fiquei encantada, não pude me conter, queria estar perto dele, cada vez mais. Foi difícil para a platéia entender o súbito interesse pelo mágico, parecia algo sem quê nem porque, mas no fundo eu e ele nos reconhecemos, gostamos despreocupadamente um do outro. O mágico fazia parte do meu imaginário há tempos, o amor era imenso mesmo antes de conhecê-lo, mas para as pessoas aquele sentimento parecia irreal, cheio de segundas intenções. Para protegê-lo tive que me afastar, por mais que doesse a distância, ficar impedida de demonstrar o querer bem, não queria se mal interpretada, não queria afetá-lo. Ainda vejo o mágico de longe, ele sempre sorri para mim e meu coração chora com saudade do seu abraço, de poder carregá-lo nos braços e gostar sem medo.
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